XI COLÓQUIO CINEMA, ESTÉTICA E POLÍTICA
Retomar arquivos, (re)abrir processos
Dia 27 de outubro
9:00 às 09:30
Abertura: apresentação do XI Colóquio
Com Cláudia Mesquita, César Guimarães, Érico Oliveira e Eduardo de Jesus (UFMG)
09:30 às 12:00
Mesa: Em busca de um método: arquivo e contra-arquivo na elaboração crítica de histórias da ditadura militar brasileira
Com Patrícia Machado (PUC-RJ) e Thais Blank (FGV)
Mediação Maria Ines Dieuzeide (UFC)
Patrícia Machado é professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e da graduação em Estudos de Mídia da PUC-Rio. Jovem Cientista do Nosso Estado/FAPERJ, coordena o projeto Práticas do contra-arquivo: mapeamento e análise de imagens não-oficiais da ditadura militar no Brasil (1964 -1985). Líder do grupo “A pesquisa das imagens de arquivo e o desenvolvimento de um método” (CNPq), dedica-se a pesquisas sobre a produção, a circularidade e a retomada de imagens de arquivo. Co-fundadora da REPIA – Rede de Pesquisas das imagens de arquivo e autora do livro “Cinema de arquivo: imagens e memórias da ditadura militar” (Sagarana, 2024).
Thaís Blank é professora adjunta da Escola de Ciências Sociais da FGV CPDOC, professora e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em História, Política e Bens Culturais (FGV CPDOC). Coordenadora da Pós-Graduação em Cinema Documentário da FGV, onde coordena o Núcleo de Audiovisual e Documentário. Líder do grupo de pesquisa Laboratório de Estudos da Cultura Visual (LECV, FGV CPDOC/CNPq) e co-fundadora da REPIA – Rede de Pesquisas das imagens de arquivo.
Maria Ines Dieuzeide é pesquisadora e professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceará. É doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG, onde desenvolveu tese sobre as formas políticas do cinema de Elia Suleiman. Pesquisa cinema, exílio e outros deslocamentos da e na imagem.
14:00 às 17:00
Mesa: Comunidades de cinema: processos compartilhados e colaborativos
Com Desali, João Dumans e Rafael Rocha (realizadores).
Mediação Glaura Vale (CEFET).
Desali é graduado em Artes Plásticas pela Escola Guignard, UEMG (2009). Entre suas exposições individuais, destacam-se: 2023 – Para os guardados (Casa de Cultura do Parque – RJ, Brasil); 2020 – Pele Fera (Galeria Athena – RJ, Brasil); 2017 – Vulgo. Lembra-se da grande mesa na sala de jantar (Palácio das Artes – BH, Brasil). Criado no Bairro Nacional, em Contagem, Desali explora o seu entorno e vivência urbana de diversas maneiras. Co-realizador do filme “Para os guardados” (2025/26, com Rafael Rocha).
Rafael Rocha é estudante de Artes Plásticas na Escola Guignard, UEMG. Dirigiu, com Desali, o curta-metragem Estudo para uma pintora: o lavrador de café, selecionado para vários festivais; e “Para os guardados”, filme premiado pelo júri jovem na 29a Mostra de Cinema de Tiradentes (MG).
João Dumans é roteirista e diretor dos longa-metragens “Arábia”, com Affonso Uchoa, escolhido Melhor Filme no 50º Festival de Brasília e exibido em inúmeros festivais ao redor do mundo, “As linhas da minha mão”, escolhido Melhor Filme na 26ª Mostra de Cinema de Tiradentes, e “A noite e os dias de Miguel Burnier”, exibido na Competição Internacional do 57º Visions du Réel e premiado no 15º Olhar de Cinema (Melhor Fotografia e Montagem). Trabalhou como roteirista e montador em filmes como “A Vizinhança do Tigre”, “Sete Anos em Maio”, “A Cidade onde Envelheço”, “Aquele que viu o Abismo” e “Os Residentes”. É professor do Arena – Escola Livre de Artes da PBH e do Galpão Cine Horto.
Glaura Cardoso Vale é pesquisadora e professora visitante do Departamento de Linguagem e Tecnologia do CEFET-MG. Atua como coordenadora, produtora e consultora editorial para catálogos, livros e revistas de cinema. É integrante do coletivo Filmes de Quintal, colaborando com o forumdoc.bh desde 2003. Autora de “A mise-en-film da fotografia no documentário brasileiro e um ensaio avulso (Relicário Edições, Filmes de Quintal, 2020, 2a edição) e organizadora do livro “Conversas – Oralidade e escrita em narrativas audiovisuais por mulheres” (Filmes de Quintal, 2026).
18:00
Sessão de curtas do Coletivo Guahu’i Guyra de Cinema (Guarani Kaiowá)
Ava Marangatu (2016, 15 min, Genito Gomes, Valmir Gonçalves Cabreira, Jhonn Nara Gomes, Jhonatan Gomes, Edina Ximenez, Dulcídio Gomes, Sarah Brites, Joilson Brites). Sinopse: No Guaiviry, terra tradicional Guarani e Kaiowá, dois jovens saem para caçar no resto de mata que ainda permanece.
Guahu’i Guyra (Encanto dos pássaros, 2020, 12 min, Anailson Flores, Beibity Flores, Cledson Amarília Ricarte, Jhonlailson Gomes Almeida, Jhon Malison, Jomalis Franco Gomes, Wagner Gomes). Sinopse: Uma caçada de passarinhos é oportunidade para dar a ver a situação de escassez no tekoha onde a exígua mata rodeada pela monocultura do agronegócio não provê as espécies e as condições de caça. É, também, acontecimento que irrompe na lógica sagrada da vida cotidiana para descortinar o encantamento, respeito, poesia e a arte da afirmação da vida por jovens que insistem em experimentar o risco do ponto de vista dos pássaros.
19:00
Amazônia Negra (en)cantada: roda de samba com Marcela Bonfim, Gabriel Moura e convidados
Dia 28 de outubro
09:00 às 12:00
Mesa Contra-Arquivos indígenas – devolução e elaboração. A experiência da série Arquivo Aberto (Vídeo nas Aldeias)
Com Vincent Carelli (indigenista e realizador, coordenador do projeto Vídeo nas Aldeias) e Ana Carvalho (realizadora, UFMG)
Mediação Clarisse Alvarenga
Vincent Carelli é indigenista e realizador, criador do projeto Vídeo nas Aldeias (1987), dedicado à formação audiovisual entre povos indígenas. Dirigiu os filmes “Corumbiara” (2009), “Martírio” (2018) e “Adeus, Capitão” (2024), entre outros.
Ana Carvalho é artista, fotógrafa e cineasta. Desde 2008 atua na ONG Vídeo nas Aldeias (VNA), como roteirista, diretora e ministrante de oficinas. Atua também na coordenação do acervo da instituição, desenvolvendo projetos de digitalização e devolução para as comunidades do arquivo de imagens da VNA.
Clarisse Alvarenga é cineasta, professora e pesquisadora. Dirigiu Umdolasi (2001), Ô, de casa! (2007) e Homem-peixe (2017). Atua como professora na Faculdade de Educação da UFMG, onde coordena o Laboratório de Práticas Audiovisuais (LAPA) e o Laboratório e Arquivo de Imagem e Som (LAIS). Sua pesquisa envolve processos poéticos e pedagógicos realizados com coletivos e cineastas ameríndios. É autora do livro Da cena do contato ao inacabamento da história (Edufba, 2017).
14:00 às 16:00
A produção do Coletivo Guahu’i Guyra de Cinema (Guarani Kaiowá). Sessão comentada do filme em processo Ava Marangatu Ete
Com Luisa Lanna (UFRJ) e Jhonn Nara Gomes (realizadora)
Mediação Luciana de Oliveira
Luisa Lanna é realizadora, montadora, mestre e doutoranda em Antropologia pelo Museu Nacional (UFRJ). Montadora e Co-diretora, com Sueli Maxakali, Isael Maxakali e Roberto Romero, de “Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá” (2025).
Jhonn Nara Gomes é liderança política jovem do Tekoha Guaiviry e no movimento indígena Guarani-Kaiowa. Atua como tradutora e mediadora dos interesses de sua comunidade, o território do Guaiviry, junto a diversas instituições e redes de apoio. É co-diretora de Ava Marangatu (2016) e Ava Yvy Vera (2016). Participa do Coletivo Guahu’i Guyra.
Luciana de Oliveira é professora e pesquisadora no Programa de Pós-Graduação e no curso de graduação em Comunicação Social da UFMG, sendo líder do grupo de pesquisa Corisco: Coletivo de Pesquisa e Ação Comunicacional em Contextos de Risco. Interessa-se pelos seguintes temas de pesquisa: comunicação intermundos, comunicação e artes visuais, comunicação e imagem, de modo especial relacionados às lutas indígenas no Brasil. Atual como coordenadora da Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG.
16:30 às 18:30
Encontro com Marcela Bonfim (fotógrafa)
Mediação de Maria Aparecida Moura
Lançamento do livro Amazônia Negra: as imagens da cor do (in)visível (Marcela Bonfim)
Marcela Bonfim é fotógrafa, residente em Porto Velho (RO), onde criou o projeto Amazônia Negra – povos, costumes e influências na floresta (https://www.amazonianegra.com.br/), plataforma multi artística. Autora do livro Amazônia Negra: as imagens da cor do (in)visível (2025). Seu trabalho participou de diversas exposições, com destaque para (Re)conhecendo a Amazônia Negra, Madeira de Dentro, Madeira de Fora (individuais) e Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira (coletiva). Foi uma das vencedoras do Prêmio Itaú Cultural Literatura, em 2020, e do Prêmio PIPA 2021, quando também recebeu o 1º lugar do Rencontres d’Arles (França), no programa IANDÉ e Photodoc / Uma projeção da Fotografia Documental Brasileira.
Maria Aparecida Moura é professora titular da Escola de Ciências da Informação da UFMG, onde atua como docente permanente dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação Social (PPGCOM/UFMG) e em Ciência da Informação (PPGCI/UFMG). Integra a Comissão Coordenadora da Formação Transversal em Saberes Tradicionais (UFMG). Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e em Sociologia pela UFMG. Atuou como membro do Comitê Assessor de Comunicação e Informação do CNPq (2023-2026). Foi Diretora de Gestão de Documentos e Arquivos do Arquivo Nacional (2023-2024); Diretora da Universidade de Direitos Humanos (UFMG) (2020-2022); Diretora de Governança Informacional da UFMG, autoridade responsável pelo cumprimento da Lei de Acesso à Informação (LAI) e pela Ouvidoria-Geral (2014-2018); e Coordenadora de Políticas de Inclusão Informacional da UFMG (2010-2014).
19:00
Sessão comentada: A estrela do Oriente visita o Reino 13 de Maio (Isabel Casimira e Júnia Torres, Brasil, 2025, documentário, 75 min).
Com a presença das realizadoras
Mediação Eduardo de Jesus (UFMG)
Sinopse:
A Estrela do Oriente do bairro Primeiro de Maio, folia da antiga ocupação operária da capital, visita a cada dia 06 de janeiro, dia de santos reis, o presépio do Reino Treze de Maio no Concórdia, região negra da cidade. Filmamos, em 2006, os “primos do Primeiro de Maio” sendo recebidos pela Rainha mãe Isabel e, quase vinte anos depois, retomamos as gravações com sua filha e agora rainha, que recebe a mesma folia, os mesmos cantos e presentes, ininterruptamente. Visita que ela devolve à sede do Estrela, acompanhada pela equipe do filme.
Júnia Torres é documentarista e antropóloga. Integrante da Associação Filmes de Quintal. Organizadora e curadora do forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte em 29 edições.
Isabel Casimira é Rainha Conga das Guardas de Congo e Moçambique Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário e da Federação dos Congados de Minas Gerais. Pesquisadora, professora e co-realizadora dos filmes “A Rainha Nzinga Chegou” e “A estrela do Oriente visita o Reino 13 de Maio”.
Eduardo de Jesus é curador, pesquisador e professor titular do Departamento de Comunicação Social da Fafich/UFMG, onde integra o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência. Suas pesquisas estão focadas na relação entre as imagens em movimento e as espacialidades. Organizou os livros “Estratégias da arte em uma era de catástrofes” (Cobogó, 2017), reunindo parte da produção teórica da professora Maria Angélica Melendi e “Walter Zanini – Vanguardas, desmaterialização, tecnologia na arte” (WMF Martins Fontes, 2018).
Dia 29 de outubro
09:00 às 10:30
Exibição do filme “Retratos de Identificação” (Anita Leandro, 2014)
10:30 às 12:30
Encontro com Anita Leandro (UFRJ)
Debate 1: Montagem e história. Uma arqueologia das imagens da repressão
Mediação Roberta Veiga (UFMG)
Anita Leandro é documentarista, montadora, pesquisadora e professora da Escola de Comunicação da UFRJ. Diretora de “Retratos de identificação” (2014), selecionado na competição internacional do FIDMarseille 2015 e em vários outros festivais e mostras de cinema, premiado pelo júri oficial do CachoeiraDoc 2015 e pelo Festival del Cinema Latino Americano de Trieste. Diretora de “Anistia 79” (2026), premiado pela Mostra de Cinema de Tiradentes. Desenvolve pesquisa junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ sobre a retomada de imagens da história no cinema de montagem.
Roberta Veiga é professora adjunta do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Poéticas Femininas, Políticas Feministas (PPGCOM-UFMG/CNPq), autora de arquivos sobre cinema e feminismo.
14:00 às 15:45
Exibição do filme “Anistia 79” (Anita Leandro, 2026)
16:00 às 18:00
Encontro com Anita Leandro. Debate 2: Imagens do exílio. Elaborar as lacunas e a incompletude dos arquivos
Mediação Anna Karina Bartolomeu (UFMG)
Anna Karina Bartolomeu é Professora Associada do Departamento de Fotografia e Cinema da Escola de Belas Artes da UFMG. Possui Mestrado em Artes (1997) e Doutorado em Comunicação Social (2008), ambos pela UFMG. Integra o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência (PPGCOM/UFMG, CNPq), onde desenvolve pesquisa sobre a potência poética e política do vestígio nos domínios da fotografia e do cinema.
19:00
Sessão comentada: Memórias da Capoeira em Minas Gerais: Grão Mestre Dunga
Debate com os realizadores César Guimarães (UFMG) e Pedro Aspahan (UFMG)
Mediação Érico Oliveira (UFMG)
Sinopse:
Amadeu Martins, o Grão Mestre Dunga, nos convida a conhecer sua escola, a Senzala, na antiga vila dos Marmiteiros (originariamente ocupada por trabalhadores da construção civil), na qual formou e – segue formando – dezenas de outros Mestres e capoeiristas. Acompanhado por seus compadres, ele rememora e encena sua longa e admirável trajetória, entremeada pelas cantigas, ladainhas e toques da capoeira: as rodas de rua na boêmia Lagoinha, nas praças Raul Soares, da Estação e da Liberdade (na chamada feira hippie), em diferentes épocas da cidade. A figura de Mestre Dunga, real e mítica, atravessa a história e o imaginário da capoeira em Belo Horizonte.
César Guimarães é professor titular do Departamento de Comunicação Social da FAFICH e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG. Coordenou as edições do Bem Comum do Festival de Inverno (2012-2014) e a Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG (de 2014 a 2024). Integrou a Comissão Permanente de Reconhecimento de Notório Saber da mesma universiddade (2020-2024). Coordena a Comissão Gestora da Cátedra Saberes Tradicionais junto ao Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (IEAT). Realizador de documentários junto ao Laboratório de Audiovisual Saberes Tradicionais, integra o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência e atua no estudo do cinema e da experiência estética. Editou a revista Devires: Cinema e Humanidades (1999-2018).
Pedro Aspahan é músico, realizador e professor da Escola de Belas Artes da UFMG. Fez doutorado em Comunicação pela UFMG, com estágio doutoral na King’s College London, estudando as relações entre Cinema Moderno, Música Contemporânea e a Estética do Serialismo na obra de Straub-Huillet. Fez pós-doutorado em Comunicação e coordena o Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais UFMG: www.saberestradicionais.org, especializando-se no campo do documentário e das relações entre cinema e música, com filmes premiados no Brasil e no exterior.
Érico Oliveira é curador, pesquisador e professor Adjunto do Departamento de Comunicação Social da UFMG. Entre 2022 e 2024, foi professor de Audiovisual na Escola de Cultura e Artes do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), em Fortaleza (CE). Entre abril de 2019 e abril de 2021, foi professor substituto no Instituto de Cultura e Arte da UFC, com cursos ministrados no setor de escrita.